O cuidador é um doente em potencial. O ato de cuidar pode ser muito prazeroso, mas a carga emocional pode ser tão pesada que o cuidador facilmente adoeça. Todo cuidador familiar tem como objetivo maior o bem estar do seu parente dependente. Contudo, esquece da própria saúde. Como é possível cuidar bem de alguém quando se está cansado? Como ter paciência se não dormiu a noite? Como ter energia para ajudar o outro sem estar alimentado? Essa equação parece sem solução: um cuidador cansado não terá como manter um bom trabalho por tempo indeterminado. Com a expansão da longevidade, esse horizonte fica ainda mais negro, pois os anos que eram poucos agora são muitos. A chave do enigma esta na prevenção. A equipe de saúde deve orientar e educar o familiar desde o início do quadro de dependência, seja uma AVC, fratura de fêmur, enfisema ou demência. O familiar deve ser alertado dos riscos a sua própria saúde. É um processo difícil, pois implica em aceitar a situação, encarar de frente a limitação de seu familiar, além de suas próprias limitações no cuidar e sua finitude. No mundo atual não há lugar para “fracos”, mas é melhor ser saudável que um “forte adoecido”. Assim, o cuidador deve preocupar-se em comer bem, exercitar-se, dormir e não descuidar de suas medicações e acompanhamento médico.