Ter bom equilíbrio

O primeiro passo para evitar quedas é entender como funciona o equilíbrio no organismo envelhecido e quais pontos de possível atuação.

TER BOM EQUILÍBRIO

Um dos grandes marcos de que uma pessoa esta envelhecendo é a ocorrência de quedas. Durante toda a vida é possível observar que elas ocorram. Na infância, com grande freqüência a criança cai, mas dificilmente acontece um grande trauma. Na velhice, a queda pode desencadear lesões graves, pode ser o prenuncio de uma doença ou também pode deixar o indivíduo com medo de cair novamente. Por tanto, é fundamental, para envelhecer bem, manter um bom equilíbrio e atuar, precocemente, em todos os fatores que possam prejudicar a manutenção da postura desejada.

Muitas coisas podem influenciar o equilíbrio. Na maioria, como descrito abaixo, é possível prevenir e/ou modificar, positivamente, a situação. Algumas providências podem ser tomadas pelo próprio indivíduo, outras, porem, exigem a consulta e a avaliação de profissionais especializados como: médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, arquiteto etc.

Inicialmente, é importante entender como funciona o equilíbrio do corpo, mesmo que de uma forma simplificada.

As informações sobre o AMBIENTE entram para o cérebro pelos órgãos dos sentidos, especialmente, VISÃO, AUDIÇÃO E TATO. A seguir, a informação é processada em várias regiões do CÉREBRO, que programa a forma mais adequada de responder e determina a contração dos MÚSCULOS certos para evitar qualquer dano ao corpo.

Durante a caminhada todo este circuito de estímulo – programação – resposta ocorre rapidamente. Isso exige muita atenção e flexibilidade do cérebro e de todo aparelho locomotor.

Diante disto, fica fácil entender porque o idoso pode ter problemas com o equilíbrio e porque ele machuca-se mais, mesmo que seja saudável. As modificações do corpo durante o envelhecimento podem tornar frágil o delicado equilíbrio do corpo. Por outro lado, as demandas do ambiente também podem ser fatores determinantes para ocorrência de desequilíbrios e quedas.

Para facilitar a compreensão, vale a pena dividir os fatores que prejudicam o equilíbrio em externos ao corpo e internos.

Dos fatores externos, os mais importantes são:

  • Ambientes com iluminação inadequada e pouca área de circulação.

  • Tapetes soltos, objetos pelo chão, piso escorregadio ou irregular.

  • Escadas sem corrimão e degraus sem identificação.

  • Sapatos inadequados.

  • Móveis muito alto ou muito baixo.

  • Calçadas quebradas.

De uma forma geral, em todos estes, como um pouco de bom senso ou pelo voto nas urnas, é possível qualquer pessoa atuar. Caso, sejam necessárias mudanças arquitetônicas como colocação de barras em ou adequação do banheiro, troca de pisos, vale a pena pedir orientação de um profissional antes de sair quebrando tudo, pois se economiza tempo e dinheiro.

Dicas de fácil aplicação:

  • Retirar móveis supérfluos.

  • Prender os tapetes com fita adesiva ou antiderrapante, específica para este fim (a venda em lojas de material de construção) ou retirar do ambiente.

  • Manter ambiente organizado. Quando as crianças visitarem os avós, destinar uma área para elas espalharem brinquedos.

  • Animais de estimação presos ou com área de circulação restrita.

  • Sinalizar degraus e desníveis no piso com fitas coloridas e antiderrapantes. Especialmente, os degraus da escada devem em evidencia o ponto final de cada degrau.

  • Retirar panos de chão colocados próximo à pias e às portas.

  • Organizar os armários de forma que os objetos de uso rotineiro fiquem em altura compatível com a estatura da pessoa, para evitar uso de escadas ou bancos.

Já os fatores internos, geralmente, exigem a atuação de um profissional da saúde. Todavia, cabe a cada um identificar sintomas que possam ser o indício de problemas e também realizar avaliações rotineiras para diagnóstico precoce.

Anualmente, toda pessoa com mais de 60 anos, independente de ter problemas, deve realizar: avaliação da oftalmológica, ginecológica (para as mulheres) e urológica (para os homens). A periodicidade da consulta com o médico clínico ou geriatra depende da saúde de cada um, não tendo uma regra fixa.

Na consulta com o médico comunique a presença de insegurança para andar, tontura ou sensação de desequilíbrio, zumbido, perda de audição ou visão, falta de força nas pernas, dificuldade para andar ou realizar suas tarefas diárias, dificuldade de memória ou de controle do xixi.

Jamais tome qualquer medicação sem consultar seu médico.

Remédios para dormir e acalmar podem reduzir os reflexos e facilitar a perda de equilíbrio. Contudo medicações que não interfiram com o cérebro (diurético, analgésicos, fitoterápicos etc) também podem ter ação sobre o equilíbrio, mesmo que indiretamente, por interferirem com outros remédios, ou por seus efeitos colaterais.

Exercícios regulares são uma boa forma de manter a força nas pernas e com isso ter melhor capacidade em realizar as atividades cotidianas com segurança. Caminhada, musculação, bicicleta, tênis, são exemplos de exercícios que priorizam a força das pernas. Já o tai-chi-chuan, yoga ou hidroginástica também atuam, diretamente, sobre o equilíbrio, pois a cada movimento o corpo aprende e treina a postura de forma lenta e controlada. Independente da modalidade é imprescindível uma avaliação física e cardíaca com um médico.

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