Lazer e moradia

SUGESTÕES PARA O DIA-A-DIA DO PACIENTE COM DEMÊNCIA E SEU CUIDADOR

LAZER:

Para cada nível de dificuldade do paciente, o lazer deve ser adaptado.

No domicílio / cadeirantes: Pequenas atividades domésticas como arrumar a cama, por e retirar roupa do varal e/ou da máquina de lavar roupas e secar louça; caso o paciente já esteja em uso domiciliar de cadeira de rodas, leve-o junto para fazer as atividades. Ex. pedir que segure a roupa que esta sendo retirada do varal, pedir sua opinião quanto a um serviço realizado;

A cozinha pode ser um local interessante para pacientes com comprometimento leve (onde ele participará ativamente da realização da receita) ou em fazer mais avançadas para pacientes sem agitação. Nesse caso optar por receitas simples, onde os ingredientes possam ser amassados com as mãos, os mexidos em conjunto em uma tigela. Ex: pães, biscoitos, bolo ou pudim de liquidificador.

Quando for possível fazer compras de mercado ou feira pela internet (existem inúmeros serviços de entrega domiciliar, inclusive de alimentos orgânicos e frescos). O momento de receber e guardar os mantimentos pode ser feito com a participação do familiar com limitação de memória.

Na cama: quando não for possível a participação ativa do paciente, faça você mesmo a atividade e mostre ao paciente. Ex. tricô, pintura em papel – mandalas, fotos, leitura de pequenos textos ou poesia;

FORMAS DE CONVIVÊNCIA:

Morar Longe:

Em muitas situações o familiar responsável por um idoso dependente não mora na mesma cidade ou até em pais diferente. A maior preocupação é quanto ao controle de custos e o risco de deixar um idoso dependente sob a responsabilidade exclusiva do cuidador formal. Isso é sem dúvida uma situação para considerar a internação em uma instituição.

Ao optar por deixar o paciente em uma Instituição de Longa permanência, fica mais fácil cobrar responsabilidades do que de uma pessoa física;

Ter bem claro como proceder em momentos de urgência. Saber como acionar transporte, qual o médico responsável e para que hospital levar;

Qualquer limite de atendimento ou de suporte a vida deve ser feito por escrito;

Fazer contato freqüente, seja por telefone, computador, correio eletrônico, e em horários diferentes, para conhecer os profissionais que cuidam em todos os turnos; Também é importante ter acesso às anotações diárias dos profissionais para acompanhar a evolução em cada terapia, além de facilitar a cobrança;

Se possível solicitar a um amigo da família ou médico da família para realizar visitas sem hora marcada;

Programar os pagamentos e organizar as compras. Se possível fazer pela internet;

Ter um local para guardar recibos, notas fiscais e receitas.

Morar junto:

A maior desvantagem é perder a privacidade. Quando o familiar cuidador mora na mesma casa do familiar dependente, geralmente por conta da proximidade ele “nunca desliga”. Isso é particularmente grave quando os idosos têm problemas com o comportamento (agressividade, delírios, alucinações). Além disso, acompanhar no dia-a-dia o declínio do seu familiar não é fácil. Pode deixar o cuidador com uma sensação de derrota.

Contudo é bem mais fácil gerenciar uma casa só que duas. Os cuidadores formais podem ter uma supervisão continua. Os custos podem ser então equalizados;

O contato multigeracional, a convivência do idoso com crianças e adolescente, pode ser muito rico para todos.

Morar perto:

Essa é uma forma muito interessante de conviver com o idoso dependente. Geralmente, estar a algumas quadras do seu familiar ou mesmo no mesmo prédio pode preservar a privacidade de ambos e, em momentos de crise, estar geograficamente perto, é um grande facilitador, especialmente em grandes cidades.

Assim, a casa do paciente gira em torno de suas necessidades e horários. Os familiares estarão mais presentes e poderão fazer uma melhor supervisão dos cuidadores formais.

Contudo, serão duas casas para gerenciar. Isso por si só, pode ser muito cansativo;

ALIMENTAÇÃO

O cardápio:

Sempre respeitar as orientações nutricionais dadas pelo médico ou nutricionista. Mesmo para alguém com limitações (físicas ou mentais) a alimentação fez parte fundamental do tratamento de muitas doenças e não devemos abrir mão delas. Tudo fica mais fácil com um organismo bem alimentado e saudável.

O passo seguinte é respeitar o paladar do paciente e suas restrições religiosas ou culturais.

Isto posto, é hora de pedir ajuda do idoso para escolher o que será comprado e servido. Sugira alimentos novos e nutritivos. Fazer lista de mercado ou feira pode motivar o paciente e facilitar a tarefa do familiar cuidador.

A hora da refeição

Independente do nível de dependência do paciente, a refeição deve ser gostosa, colorida e bonita. Sempre arrumar a mesa com louças e talheres organizados e bonitos. Ter rotina e um ambiente tranquilo sem ruídos extras como televisão ou música, animais de estimação;

Talheres: a rotina da família deve ser mantida até quando possível. Se paciente estava acostumado a usar garfo e faca isso deve ser mantido. Geralmente a faca é descartada quando o paciente passa a ter dificuldade em cortar os alimentos ou em caso de agressividade. O passo seguinte é passar a usar a colher pois preserva a independência, isso é pode comer sozinho. O momento onde o familiar ou cuidador passa a oferecer a comida ao paciente deve ser discutido com o médico e/ou equipe de saúde que assiste o paciente.

Uso de protetores de roupa (babadores) é discutível. Alguns pacientes podem ter isso como rotina, pois quando mais jovens usavam o guardanapo preso ao colarinho para evitar sujar a gravata, por exemplo. Mas em alguns núcleos familiares isso pode ser visto como infantilização do idoso, o que é extremamente nocivo para a autoestima do doente. Neste caso melhor optar por trocar a roupa após a refeição. Em caso de refeições com outros participantes fora do círculo de pessoas intimas, cuidado com o cardápio. Melhor oferecer alimentos que sejam mais fáceis de comer (ex. risotos, suflês, carnes fatiadas, estrogonofe – sem babata palha etc.) do que alimentos difíceis de pegar (ex. camarão com casca, frango com osso etc.);

Higiene bucal após a refeição é fundamental. Veja no texto de higiene oral as dicas de como proceder;

Modificação de consistências

Muitas vezes o familiar opta por liquidificar os alimentos para melhorar a ingestão de todos os nutrientes. Isso jamais deve ser feito sem orientação profissional (médico, nutricionista ou fonoaudiólogo); Ao mudar a consistência dos alimentos ocorre uma completa mudança na absorção de nutrientes. Isso por si só pode causar ou acentuar a perda de peso.

Como regra geral, os alimentos devem ser processados individualmente. Até dois alimentos processados juntos é razoável, de forma que sejam oferecidos alimentos variados e de cores diferentes. Observar de é interessante ter preparações doces e salgadas oferecidas em separado.

Sempre experimentar a comida, para ajuste de sal e temperatura. Muitas pessoas com perda cognitiva (demências) podem ter dificuldade de explicar o que está errado com a comida.

Quando não for mais seguro que o paciente coma os alimentos preparados para as outras pessoas da casa, o primeiro passo é cozinhar mais o alimento e amassar com garfo (preserva a fibra). Depois bater no processador (fibra será quebrada) e só em casos muito especiais passar na peneira (praticamente sem fibra).

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